sábado, 25 de agosto de 2007

A vida é um jogo de atari - Pena que eu não entendia


É vivendo que a gente aprende que nada, além do espírito, é pra sempre. E quando a gente aprende, a ficha cai, os princípios mudam, o céu chega a mudar de cor, as estrelas voltam a brilhar. Quem a gente ignora passa a fazer tudo ter sentido, quem a gente amava já não tem importância. O desconhecido é temido, assim como o velho que faz mal, mas não nos magoa, pois dele nada se espera.

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E assim me parece a vida, como num pitfall, do velho atari, cheia de buracos, troncos rolando a todo momento, jacarés ávidos pelos nossos corpos, a fim de sugar toda nossa energia e nos tirar mais uma vida. Sem falar nos escorpiões...

Joguei atari durante anos e nem me dei conta do quando aquele humilde aparelho tentava me atentar. A vida é como nos jogos do atari. Mas basta eu parar pra pensar e percebo o quanto meus jogos preferidos tentavam me alertar.

River raid: A gente joga, passa pelos obstáculos, perde combustível, reabastece, bate num navio, num helicóptero, etc. Mas vamos passando as fases;

Frostbit: A vida no frio, os icebergs, os peixes pra matar a fome, os siris, carangueijos, gaivotas e outros bichos que apareciam pra me carregar. E eu matava a fome, fugia daqueles seres estranhos e, com isso, ia mudando de fase. Depois de fome, frio, de ter que me adaptar a velocidade dos pedaços de gelo e dos predadores ainda tinha que fugir de um urso polar, a fim de me aquecer, num iglu, que era protegido por ele;

Pacman: Esse todo mundo conhece bem. A gente come os pontinhos, sabendo que, mais cedo ou mais tarde, alguém vai fazer o mesmo com a gente. E não dava outra. Chega uma hora que a gente se rende;

Boxe e tênnis: Ah, esses eram fáceis. Eram como se servissem pra elevar a auto-estima e fazer tudo parecer mais fácil;

Enduro: Como era bom passar por todos aqueles carros. Aquele jogo queria mostrar que não precisa trapacear pra ganhar, que é só a gente se dedicar que consegue superar limites, adversários, desafios e chegar no melhor lugar. Basta concentrar um pouco e redobrar a atenção;

Seaquest: desafiador também. Como no river raid e diversos outros, era necessário abastecer;

Demonatk: Era de espaço, naves de outros planetas..rs... isso eu que acho..rs....;

Hero: Dispensa apresentações. Maravilhoso. Tinha que ser precisa, estourar a bomba no lugar certo e salvar a princesa. Acho que era isso que eu tinha que fazer...rs......;

Freeway: O nome indica caminho livre, mas não era bem assim. Vida de galinha não é fácil. Acho aquele jogo pra lá de didático. A criança aprende a não atravessar na frente de carros, caminhões e a fins...rs...;

Keystone: Já que falamos em didático, o que era esse jogo? Uma demonstração clara de que roubar não é bom, que lugar de quem rouba é na prisão e que a polícia resolve tudo....rs.... só se for do Bope (é que vi o filme hj, aliás, o que é esse filme "Tropa de Elite"?)

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Mas é isso, sem querer, acho que hoje me dei conta de que o atari sempre tentou me avisar que a vida não era fácil, que enfrentaria diversos obstáculos, conheceria pessoas não tão boas, que aprenderia com elas e com as boas também.

É isso. A vida é um jogo de atari. E o resultado dos jogos depende de quem está no controle:

EU!

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